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Para o pensamento ocidental, existe uma grande separação entre natureza e cultura: de um lado, existem coisas e seres que são naturais, dados pela natureza, criados sem a ação de ninguém;  de outro lada, existe todo o que e construído ou modificado pelos homens. Essa visão, os homens estão separados da natureza. O homem tem cultura; os animais, os vegetais e outros indivíduos “da natureza” não tem.

Para a maioria dos não índios, a natureza existe para ser transformada, explorada usada como “recurso” pelos seres humanos. Isso leva a muitos problemas, não só ambientais, mas também sociais. Os não-índios querem explorar os recursos naturais sem lembrar que as pessoas também fazem parte da natureza, e que sua vida depende de outras formas de vida. Quando esgotam os recursos de um ambiente, acabam prejudicando também as  que vivem naquele ambiente.

Já no pensamento dos povos indígenas, não encontramos essa grande separação entre natureza e cultura. Para muitos povos  indígenas, os animais e outros seres da floresta, assim como os seres humanos tem as sua própria culturas. Essa forma de entender o mundo se reflete na maneira como os povos indígenas se relacionam com os demais seres e utilizam os recursos das florestas. As suas preocupações não são só como o aproveitamento dos recursos, mas com manutenção de boa rela coes entre os seres humanos, e os seres da “natureza”. Na verdade essa idéia de uma “natureza         “ separada e completamente diferente e da humanidade parece não fazer nenhum sentido dentro da lógica dos povos indígenas.

O meio-ambiente também é uma categoria cultural. Isso significa que nada povo tem suas próprias idéias sobre os seres que convivem com os humanos no mundo. Todas as formas de classificar e entender o mundo, dos índios e do não-indio, são sempre construídas em contextos sócio-culturais específicos. Não podemos dizer que uma forma de conhecimento seja melhor ou mais o verdadeira do que a outra.

Um exemplo das diferenças entre o pensamento indígena e o pensamento ocidental pode ser dado pelo discurso de proteção à natureza e ao meio-ambiente. Muitos não-indios acham estranho que grupos indigenas pratiquem formas de caça, pesca e utilização de áreas e florestais que Parecem contrarias à preservação ambiental. Não existe um discurso “proteção” da natureza entre as populações indigenas, porque entre elas nunca houve uma separação entre o homem e o resto do mundo como aquela que tornou possível uma exploração sem limites dos recursos ambientais pelos não-indios. É impossível encontrarmos palavras especificas em língua indigenas para idéias como ecologia, recursos naturais, proteção ambiental. Os povos indígenas têm outras formas de entender o mundo e, por isso, tem outras formas de se relacionar com o que os não-indio chamam de “recursos naturais”. Porem, as formas indígenas de organizar o conhecimento são ainda pouco conhecidas, pouco valorizadas e pouco respeitadas.

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